“Não ataque, converse”: cientista política indica estratégia para o segundo turno

A cientista política Larissa Peixoto Gomes apelou nesta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, por uma estratégia de diálogo no segundo turno das eleições presidenciais: em vez de ataques diretos, ela defende conversar com eleitores indecisos, abstencionistas e com quem rejeita ambos os candidatos. A pesquisadora, doutora em ciência política e vinculada à Universidade de Edimburgo, disse a um programa da Rádio Brasil de Fato que a conversa personalizada tem mais chances de deslocar votos do que mensagens agressivas.
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Foco em quem não compareceu e em eleitores indecisos
Gomes afirmou que parte da disputa deve mirar nas pessoas que não foram às urnas no primeiro turno, nos votos nulos e nos indecisos, porque muitos eleitores que rejeitam ambos os candidatos podem ser persuadidos por uma abordagem menos confrontadora. Segundo ela, perguntas simples e análogas — que colocam em perspectiva as consequências práticas de cada opção — ajudam a abrir espaço para a argumentação política.
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Risco à Constituição entre os temas a ser debatido
A cientista política também destacou que propostas de mudança constitucional sugeridas por adversários devem ser explicadas ao eleitorado, em especial quanto às garantias da Constituição de 1988 — como direitos ao transporte público, à educação e ao Sistema Único de Saúde. Para Gomes, a base de apoiadores de certas candidaturas desconhece a extensão dessas proteções, o que torna essencial levar esclarecimentos concretos sobre os riscos de alterações constitucionais.
Como vencer a resistência de segmentos fiéis
Gomes reconheceu que parte do eleitorado alinhado com candidaturas mais radicais tende a desqualificar argumentos contrários como fake news, por isso recomendou concentrar esforços em grupos mais permeáveis — incluindo seguidores de formadores de opinião alternativos — e no público que se absteve no primeiro turno. Essa tática, disse ela, privilegia a persuasão direta e a construção de argumentos adaptados a públicos distintos.
Comunicação e fragmentação do eleitorado
A professora ressaltou ainda que a massificação de discursos políticos cria letargia nas conversas cotidianas, dificultando o diálogo com eleitores já inseridos em bolhas ideológicas. Por isso, estratégias de campanha que valorizem conversas individuais, regionais e tema a tema podem ser mais eficazes do que mensagens gerais e agressivas nas redes sociais.
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Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial.



